
Como parte da programação oficial da Temporada França-Brasil 2025, o Museu da Imagem e do Som do Ceará promove de 21 a 25 de outubro o evento internacional “Occitânia: filmes do mundo”, composto por uma mostra de filmes latino-americanos e painéis de debate com convidados franceses para discutir diferentes temas do universo audiovisual. A exibição dos filmes será realizada no Cinema do Dragão e os debates, na escola Porto Iracema das Artes. A proposta é voltada tanto para o grande público quanto para estudantes de cinema, pesquisadores e profissionais da área. Toda a programação é gratuita. O MIS integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais (Rece) do Governo do Ceará, vinculada à Secretaria da Cultura, com gestão parceira do Instituto Mirante.
“Occitânia: filmes do mundo” se configura como uma colaboração entre diversas organizações do Brasil e da França para apresentar uma seleção rica e diversa de filmes, de diferentes países da América Latina, que possuem, no entanto, uma firme ligação com a região da Occitânia (França). Filmes que tiveram o apoio do 37º Cinélatino – Rencontres de Toulouse (Festival de Cinema Latino-americano de Toulouse) no seu desenvolvimento, filmes que foram preservados pela Cinémathèque de Toulouse (Cinemateca de Toulouse) ou, ainda, filmes que foram realizados com apoio da Occitanie Films (Agência de Cinema & do Audiovisual na região da Occitânia).
Há 37 anos, o Festival Cinélatino é uma festa do cinema e uma imersão nas culturas latino-americanas. Pela primeira vez no Brasil, o festival é acolhido pelo Ceará e pelo Rio de Janeiro dentro da programação do evento “Occitânia: filmes do mundo”, promovendo um diálogo entre culturas na produção audiovisual do continente e refletindo sobre o acompanhamento, a valorização e a preservação da diversidade das expressões e representações cinematográficas. O evento foi construído de forma colaborativa pelo Festival Cinélatino, Cinemateca de Toulouse, Occitanie Films, Institut Pluridisciplinaire pour les Études sur les Amériques à Toulouse (IPEAT), MIS Ceará, Cinemateca do MAM Rio (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro) e Cinema do Dragão, com apoio da escola Porto Iracema das Artes, Vila das Artes, Casa Amarela Eusélio Oliveira e cursos de Cinema da Universidade de Fortaleza e da Universidade Federal do Ceará.
Na mostra audiovisual de “Occitânia: filmes do mundo” serão exibidos 8 filmes, alguns inéditos no Brasil, incluindo duas obras restauradas de valor histórico. Os filmes provenientes do Festival Cinélatino são “Diógenes”, de Leonardo Barbuy (Peru); “Los Silencios”, de Beatriz Seigner (Brasil); “Yo vi tres luces negras”, de Santiago Lozano Álvarez (Colômbia); “Ceniza negra”, de Sofía Quirós (Costa Rica); e “Ixcanul”, de Jayro Bustamante (Guatemala). Complementando a programação estão “Chien de la casse”, de JB Durant (Occitânia), e mais dois filmes raros da Cinemateca de Toulouse, “Benito Cereno”, de Serge Roullet, e “Terre De Feu”, de Paul Castelnau.
Paralelamente à mostra, haverá mesas de debates sobre preservação e coprodução audiovisual internacional. O evento se completa com um encontro profissional em torno das possibilidades de coprodução França-Brasil e um debate em torno da revista Cinémas d’Amérique latine, publicação criada em 1992 pela Association des Rencontres des Cinémas d’Amérique latine de Toulouse, que aborda tanto a atualidade quanto a memória das cinematografias latino-americanas por meio de artigos analíticos. A programação foi concebida em parceria entre o Museu da Imagem e do Som do Ceará, a Cinemateca do MAM e o Festival Cinélatino, com apoio do Institut Français. Participarão das mesas os franceses Jérôme Sion, presidente da agência cultural da Occitânia; Franck Loiret, diretor da Cinemateca de Toulouse, e Eva Morsch Kihn, coordenadora da plataforma profissional e da programação do Cinélatino. Haverá, ainda, uma fala com Sylvie Debs, especialista em cinema brasileiro e membro do conselho editorial da Revue Cinémas d’Amérique latine (Revista Cinemas da América Latina).
Cinélatino, Rencontres de Toulouse no Brasil
Os Rencontres foram criados por um coletivo de associações de solidariedade com a América Latina.
A tomada de consciência sobre o risco enfrentado pelos cinemas latino-americanos — nascida de contatos diretos — orientou a questão da solidariedade, em termos gerais, para uma “solidariedade cinematográfica”.
Em 1991, o coletivo decidiu criar uma entidade dedicada especificamente ao cinema: a ARCALT – Associação Rencontres Cinémas d’Amérique Latine de Toulouse. Seu objetivo era apoiar e defender os cinemas da América Latina, promovendo maior conhecimento, difusão e distribuição dessas obras na França.
A finalidade primordial da Associação é dar visibilidade às cinematografias marginalizadas pelos circuitos comerciais de distribuição e contribuir para sua circulação. A solidariedade com os criadores latino-americanos constitui um dos elementos fundadores do projeto cultural da ARCALT.
Assim, o Cinélatino, Rencontres de Toulouse tornou-se, em 37 anos, o festival de referência do cinema latino-americano na França.
A programação inclui mais de 130 filmes, com estreias nacionais e mundiais, pré-estreias, seções temáticas, diversos encontros com cineastas, mesas de debate e até concertos. O público descobre obras para todos os gostos: ficções, documentários, longas e curtas-metragens, cinema de autor, social, de gênero ou grandes sucessos populares.
Desde a criação, o festival também desenvolveu ações educativas e culturais para públicos de 3 a 25 anos, oferecendo programações específicas, dossiês pedagógicos e oficinas dentro e fora do período escolar.
A plataforma profissional do festival acompanha, há 23 anos, cineastas em todas as etapas da vida de seus filmes: desde o projeto em escrita até a pós-produção ou o filme finalizado.
A associação publica, por ocasião do festival, uma revista trilíngue que aprofunda as temáticas abordadas, além de oferecer espaço a autoras e autores latino-americanos.
Temporada França-Brasil
“Occitânia: Fiilmes do Mundo” é uma das programações que integram a “Temporada França – Brasil 2025”, que celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países. A partir do trabalho de intercâmbio e internacionalização cultural do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), nossa identidade cultural também é parte dessa iniciativa internacional. A Temporada França-Brasil 2025, organizada de abril a setembro na França e de agosto a dezembro no Brasil, é um conjunto de eventos e encontros que celebram esse marco na relação diplomática entre os dois países. A decisão de organizar a Temporada foi tomada pelos presidentes Emmanuel Macron e Luiz Inácio Lula da Silva em junho de 2023, em Paris, com o objetivo de impulsionar a cooperação bilateral, fortalecer as respostas conjuntas aos desafios políticos, sociais e ecológicos contemporâneos, e apresentar a riqueza e diversidade da cultura de ambos os países. A Temporada está coordenada pelo Institut Français e o Instituto Guimarães Rosa em estreita colaboração com as Embaixadas da França no Brasil e do Brasil na França, sob a autoridade dos ministérios das Relações Exteriores e da Cultura de ambos os países.
Programação Completa
Occitânia: Filmes do Mundo
Fortaleza | 21 a 25 de outubro
Locais: Porto Iracema das Artes | Cinema do Dragão do Mar
Terça-feira | 21 de outubro
19h | Sessão Cinélatino
Sala 2 – Cinema do Dragão do Mar
DIOGENES (Colômbia / França / Peru, 2022)
Dir. Leonardo Barbuy | 80 min
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Quarta-feira | 22 de outubro19h | Sessão Cinélatino
Sala 2 – Cinema do Dragão do Mar
EU VI TRÊS LUZES NEGRAS (Colômbia / México / França / Alemanha, 2024)
Dir. Santiago Lozano Álvarez | 87 min
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Com colaboração da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Quinta-feira | 23 de outubro
19h | Sessão Cinélatino
Sala 2 – Cinema do Dragão do Mar
TERRA DAS CINZAS (Costa Rica / Argentina / Chile / França, 2019)
Dir. Sofia Quiroz | 82 min
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Sexta-feira | 24 de outubro
10h às 11h30 | Mesa de Abertura
Escola Porto Iracema das Artes
Conexões Latinas: Encontro de Coprodução Internacional
Com Eva Morsch Kihn e Jérôme Sion
Apresentação da plataforma Cinéma en Construction e diálogo com produtoras locais.
Plataforma Cinéma en Construction
14h às 15h30 | Conferência
Local: Porto Iracema das Artes
Cinematecas em Movimento: Arquivos Vivos e Difusão Cultural
Com Franck Loiret, diretor da Cinémathèque de Toulouse
17h | Sessão Cinemateca de Toulouse
Cinema do Dragão do Mar
TERRA DO FOGO (França, 1926)
Dir. Paul Castelnau e Joseph Mandement | 34 min
BENITO CERENO (França / Itália / Brasil, 1968)
Dir. Serge Roullet | 77 min
19h | Sessão Cinélatino
Cinema do Dragão do Mar
OS SILÊNCIOS (França / Brasil, 2018)
Dir. Beatriz Seigner | 89 min
Mais informações
Sábado | 25 de outubro
16h CINÉLATINO: Palavras para o Cinema da Nossa América
Local: Cinema do Dragão do Mar
Fala com Sylvie Debs sobre a Revista Cinélatino
Revista Cinélatino
17h | Sessão Cinélatino
Sala 2 – Cinema do Dragão do Mar
O VULCÃO IXCANUL (Guatemala / França, 2023)
Dir. Jayro Bustamante | 90 min
Mais informações
19h | Films d’Occitanie
Sala 2 – Cinema do Dragão do Mar
CÃO DANADO (França, 2023)
Dir. Jean-Baptiste Durand | 93 min
PARTICIPANTES FRANCESES:
Eva Morsch Kihn, curadora (França)
Eva Morsch Kihn é coordenadora de programação e da plataforma profissional e curadora do Festival Cinélatino, Rencontres de Toulouse (França), um festival francês dedicado ao cinema da América Latina fundado em 1989. Em 2019, recebeu 50.000 participantes, apresentou 173 títulos e envolveu 70 salas de cinema na região da Occitânia. Eva faz parte do comitê de seleção do Cine en Construcción, iniciativa que tem por objetivo apoiar a finalização de longas-metragens latino-americanos, dar-lhes visibilidade internacional entre profissionais e facilitar sua circulação e difusão.
A trajetória profissional de Eva também inclui diversas colaborações. Desde 2014, com o Venice Gap Financing Market do Festival de Veneza, como membro do comitê de seleção de projetos internacionais. Dedica-se igualmente à curadoria de filmes para Primer Corte, Copia Final e Films in Progress, no âmbito do Ventana Sur, desde 2017. Selecionou projetos para o BrLab e, de 2005 a 2015, selecionou projetos latino-americanos para o fundo de desenvolvimento do Festival d’Amiens. De 2010 a 2012, desenvolveu e coordenou o programa profissional da La Fabrique des Cinémas du Monde em Cannes. Participa regularmente de comitês de avaliação de projetos para diferentes fundos: Région Midi-Pyrénées, Aide aux Cinémas du Monde, fundo internacional da região Centre, Proimágenes, CICLIC, Résidence de Gindou, ACAU, FFM, entre outros.
Eva tem formação acadêmica voltada para a cultura e as artes, com mestrado em Gestão Cultural pela Universidade Paris Dauphine, mestrado em Literatura pela Universidade de Toulouse, além de especializações em Teatro pelo Conservatório de Toulouse e em Literatura Moderna pela Universidade de Quebec, em Montreal (Canadá). Essa formação foi complementada por sua participação como palestrante em diferentes espaços de ensino, como o Mestrado em Produção de Barcelona, a ENSAV (no departamento de Arte & Comunicação), a Universidade Jean-Jaurès de Toulouse (voltada para futuros gestores culturais) e o BrLab de São Paulo (Brasil).
Representa o Cinélatino, Rencontres de Toulouse no Conselho de Administração do Carrefour des Festivals (associação francesa de festivais de cinema). Desde 2022, ocupa o cargo de vice-secretária da Occitanie Films.

Eva Morsch Kihn, curadora (França)
Sylvie Debs
Especialista em cinema brasileiro e literatura de cordel, publicou Patativa de Assaré (2000), Os mitos do sertão: emergência de uma identidade nacional (2007), Brésil: l’atelier des cinéastes (2004), Corisco e Dada (2016) e Cinema e cordel: jogo de espelhos. (2014). É autora das seguintes traduções na França de Glauber Rocha e a Estética da Fome de Ismail Xavier (2008), Revisão Crítica do Cinema Brasileiro de Glauber Rocha (2021) e Pai pais, mãe pátria de José Carlos Avellar (2022).
É membro do conselho editorial da Revue Cinémas d’Amérique latine desde 1996, e colabora com o festival Cinelatino (www.cinelatino.fr), onde apresenta filmes seguidos de debates e interpreta os encontros profissionais do Cinéma en construction
(www.cinelatino.fr/contenu/cinema-en-construction).
Diretora fundadora da CABRA (www.cabras.org) e representante da rede Internacional de Cidades de Refúgio – ICORN (www.icorn.org) no Brasil, que acolhe artistas em situação de risco em seus países de origem.

Sylvie Debs
Jérôme Sion
Presidente da agência cultural de Occitânia, que reúne Occitanie Films, Occitanie Livre e Occitanie en Scène. Comprometido com a causa da cultura em Occitânia ao lado de Carole Delga, tornou-se, a partir de 2021, vice-presidente das três agências culturais regionais, incluindo a Occitanie Films, até se tornar presidente da agência única AOC (Agência de Occitânia da Cultura), formada a partir da fusão das três anteriores, em 2025.

Jérôme Sion
Frank Loiret
Diretor executivo da Cinémathèque de Toulouse. Após estudos em artes cênicas e uma carreira como ator — primeiro na França e depois na Inglaterra —, Franck Loiret trabalhou durante vários anos na administração e produção de importantes teatros do West End, como o Wyndham’s Theatre. Ao retornar à França, continuou sua carreira em Paris e depois em Toulouse, atuando no Théâtre National de Toulouse ao lado de Jacques Nichet, e também no Centre chorégraphique James Carlès. Em 2007, foi nomeado diretor financeiro da Cinémathèque de Toulouse, assumindo o cargo de diretor executivo em 2015.

Frank Loiret
Sobre os filmes
“DIOGENES”, de Leonardo BARBUY, Peru
https://www.cinelatino.fr/film/diogenes

País: Peru
Países de coprodução: Colômbia, França
País de filmagem: Peru
Título original: Diógenes
Formato: Longa-metragem
Ano: 2022
Duração: 1h20
Elenco: Gisella Yupa, Cleiner Yupa, Jorge Pomacanchari
Sinopse:
Nos Andes peruanos, duas crianças são criadas em isolamento pelo pai, um pintor herdeiro da tradição ancestral das Tablas de Sarhua. Ele troca sua arte no vilarejo por produtos de primeira necessidade, enquanto os filhos o aguardam, vigiados pelos cães. Uma série de eventos inesperados transforma radicalmente a única realidade que conhecem e leva Sabina, a irmã mais velha, a confrontar seu passado e sua cultura. Filme em preto e branco, com alto contraste e formato quase quadrado, onde a iluminação natural ou artificial (lampião a óleo) se destaca.
Prêmios: Menção especial no Grand Prix Cinéma en Construction Toulouse, março de 2022
Biografia do diretor:
Diógenes é o primeiro longa de ficção de Leonardo Barbuy La Torre, que também é roteirista e compositor da trilha sonora. Seu curta Alana (2017) venceu o concurso nacional de curtas da DAFO no Peru.

“OS SILÊNCIOS”, de Beatriz SEIGNER, Brasil
https://www.cinelatino.fr/film/los-silencios

Países de coprodução: Brasil, França
Formato: Longa-metragem
Ano: 2018
Duração: 1h29
Elenco: Doña Albina, Yerson Castellanos
Sinopse:
Nuria (12), Fabio (9) e sua mãe Amparo chegam a uma pequena ilha no coração da Amazônia, na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, fugindo do conflito armado colombiano, no qual seu pai desapareceu. Um dia, ele reaparece em sua nova casa. A família é assombrada por um estranho segredo e descobre que a ilha é habitada por fantasmas. Fábula política e fantástica, primeira internacional na Quinzaine des Réalisateurs em Cannes 2018.
Biografia do diretor:
Beatriz Seigner é roteirista e diretora do filme Bollywood Dream (2009), a primeira coprodução entre o Brasil e a Índia, selecionado em quase 20 festivais internacionais (Busan, Tóquio, Paris, Los Angeles, São Paulo, etc.), e do documentário Between Us, a Secret, filmado com os griots (contadores de histórias) da África. Como roteirista, é autora do roteiro do filme de Walter Salles, La contadora de películas.
“EU VI TRÊS LUZES NEGRAS”, de Santiago Lozano Álvarez, Colômbia
https://www.cinelatino.fr/film/jai-vu-trois-lumieres-noires

Países de coprodução: Alemanha, França, México
Formato: Longa-metragem
Ano: 2023
Duração: 1h27
Elenco: Jesús María Mina, Julián Ramirez, Carol Hurtado, John Alex Castillo
Produção: Dublin Films
Sinopse:
Na costa do Pacífico colombiano, onde Santiago Lozano já filmou Siembra, vive uma população negra esquecida. José de Los Santos, velho sábio adepto de rituais mortuários herdados de escravos africanos, atravessa um mundo hostil com grupos armados e garimpeiros violentos, em um percurso caótico entre vivos e mortos, interpretado por Jesús María Mina. Filme meticulosamente filmado, selecionado para Cinéma en Construction 42 (Cinélatino 2023).
Biografia do diretor:
Santiago Lozano Álvarez, formado pela Universidade del Valle (Cali), dirigiu vários curtas antes de seu primeiro longa Siembra, vencedor do prêmio Coup de Cœur no Cinélatino 2016. Escreveu YO VI TRES LUCES NEGRAS durante a Residência Cinéfondation em Cannes, onde foi laureado.
“TERRA DAS CINZAS”, de Sofía Quiróz, Costa Rica
https://www.cinelatino.fr/film/la-danse-du-serpent

Países de coprodução: Argentina, Chile, França
Ano: 2019
Duração: 1h22
Sinopse:
Selva, 13 anos, vive na região costeira do Caribe. Após a morte súbita de sua única figura materna, ela deve cuidar do avô, que perdeu a vontade de viver. Entre sombras e brincadeiras selvagens, Selva questiona se está ajudando seu avô a cumprir seu desejo, sacrificando os últimos momentos da infância. Filme misterioso e místico, lembrando o cinema de Tarkovski.
Biografia do diretor:
Sofía Quirós Ubeda nasceu em 1989. Seu primeiro longa-metragem, Ceniza negra, foi selecionado para o Next Step (Torino Film Lab + Semana da Crítica), para o 3 Puertos Cine, para o Lobo Lab e recebeu apoio do Aide aux Cinémas du Monde, do Programa Ibermedia, do World Cinema Fund e do Tribeca Latin American Fund, entre outros. Seu curta-metragem, Selva, esteve em competição na Semana da Crítica de 2017. Desde então, foi exibido em mais de vinte cidades ao redor do mundo e recebeu prêmios em Biarritz, Guanajuato e Buenos Aires, entre outros.

“O VULCÃO IXCANUL”, de Jayro Bustamante, Guatemala

País de coprodução: França
Ano: 2015
Duração: 1h30
Elenco: María Mercedes Coroy, María Telón, Manuel Antún, Justo Lorenzo, Marvin Coroy, Leo Antún
Sinopse:
María, jovem maia de 17 anos, vive com a família aos pés de um vulcão ativo na Guatemala. Um casamento arranjado a aguarda. Enquanto sonha com a cidade, sua condição de mulher da comunidade Cakchiquel limita seu destino. Complicações na gravidez a fazem entrar em contato com o mundo moderno, salvando sua vida, mas a um alto custo. Filme guatemalteco que reforça a presença feminina na cultura local.
Biografia do diretor:
Jayro Bustamante (1977, Guatemala) realizou seu primeiro longa-metragem, Ixcanul (2015), que recebeu o Urso de Prata – Prêmio Alfred-Bauer no Festival de Berlim e ganhou o prêmio do público e da crítica no Festival Cinélatino em 2015. Foi também laureado pela Fondation Gan pour le Cinéma.
Filme da Occitânia
“CÃO DANADO”, de Jean-Baptiste Durand, França (2023)

Título original: Chien de la Casse
Ano: 2023
Diretor: Jean-Baptiste Durand
País: França
Gênero: Comédia, Drama, Romance
Sinopse: Dois amigos, Dog e Mirales, vivem numa pequena vila francesa. A chegada de Elsa ao local abala a relação dos amigos, com Dog a apaixonar-se por ela. O ciúme de Mirales coloca o vínculo de amizade à prova, forçando-o a confrontar o seu passado e encontrar o seu próprio lugar.
Filmes da Cinémathèque de Toulouse
“BENITO CERENO”, de Serge Roullet. 1968. França, Itália, Brasil, 77 min. Livre

Elenco: Ruy Guerra, Temour Diop, Georges Selmark, Jacques Mercier, John Turner, Philippe Nourry.
Roteiro: Serge Roullet; obra adaptada: Benito Cereno, Herman Melville.
Restauração da Cinémathèque de Toulouse no âmbito de A Saison of Classic Films (ACE) (2024-2025)
Baseado no romance homônimo de Herman Melville, Benito Cereno retrata uma revolta de escravos em 1799 a bordo de um navio negreiro espanhol na costa chilena.
Em uma baía de uma ilha do Pacífico, em 1799, aproxima-se um três-mástiles negreiro espanhol, o Santo Domingo. O veleiro parece em péssimas condições, e Amaso Delano, capitão de um navio americano ancorado, decide prestar auxílio. Ao embarcar, Delano descobre que os marinheiros foram dizimados pelo escorbuto e que o mau tempo completou a devastação, colocando o navio em perigo.
O capitão do Santo Domingo, Benito Cereno, está gravemente enfermo e constantemente assistido por seu servo dedicado, Atimbo. No entanto, alguns detalhes intrigam Amaso Delano, e, de repente, a verdade se torna evidente. Quando o capitão americano percebe que os escravos se revoltaram, dominaram a tripulação, imobilizaram o capitão e tentam retornar à África, ele não hesita. É preciso restabelecer a ordem, mesmo ao custo da morte de todos os escravos africanos e de alguns espanhóis. Como ele possui mosquetes e os outros apenas machados, o desfecho é praticamente certo.
Este filme, mais do que uma narrativa simples, é um exame intenso e profundo de temas complexos, abordando situações sob ângulos inesperados e refletindo relações de dominação e escravidão. Serge Roullet buscou recriar o ambiente histórico da história e, para isso, fez reconstruir um verdadeiro veleiro de 45 metros, que se tornou o espaço cênico ideal. O filme foi rodado em alto-mar, em um três-mástiles real, durante o inverno, sob os trópicos, lidando com os caprichos do mar, do vento e da luz.
Em 2020, Serge Roullet confiou à Cinémathèque de Toulouse todo o seu acervo — filmes, fotos, roteiros, correspondência, objetos — bem como os direitos de seus filmes, representativos de uma carreira cinematográfica radical e sem concessões. Após restaurar seu primeiro longa, Le Mur, graças a A Saison of Classic Films, a Cinémathèque de Toulouse prosseguiu a restauração da obra deste exigente cineasta, que havia sido assistente de Robert Bresson em Procès de Jeanne d’Arc. Seu método de trabalho tem muito em comum com o de Bresson: atores não profissionais, planos fixos, atenção aos detalhes, silêncios e olhares. Benito Cereno, adaptação de um conto de Herman Melville, era um dos filmes mais queridos de Serge Roullet, que nos deixou em 2023. Novamente, graças ao apoio do ACE, a Cinémathèque pôde concluir a restauração do filme.
“TERRA DO FOGO”, de Paul Castelnau, Joseph Mandement. 1926. França, 34 min. Colorido parcialmente. Mudo.

Em março de 1925, uma expedição sob a égide da Société de Géographie parte do porto chileno de Punta Arenas a bordo do cutter Le Jupiter, com a missão de produzir documentação cinematográfica sobre a Terra do Fogo e seus habitantes: os Kaweskar, os Yaghan e os Selk’nam. A missão é conduzida por Paul Castelnau, geógrafo e fotógrafo dos Archives de la Planète de Albert Kahn, autor de numerosos autochromes da Primeira Guerra Mundial. Paul Castelnau é acompanhado por Lucien Le Saint, operador também dos Archives de la Planète. O segundo autor do filme é Joseph Mandement, homem de teatro, cineasta, produtor; ele também foi o distribuidor na França do famoso Nanook, o Esquimó, de Flaherty. Mais do que por essas atividades, Mandement é hoje conhecido por suas escavações arqueológicas, especialmente na caverna do Mas d’Azil. Joseph Mandement, que não fez a viagem, provavelmente é o autor dos intertítulos.
É necessário esclarecer que os textos que acompanham as imagens contêm imprecisões etnográficas e geográficas, e que os comentários sobre os povos da Terra do Fogo são difíceis de aceitar hoje, a menos que o filme seja contextualizado historicamente.
Desde sua redescoberta nas coleções da Cinémathèque de Toulouse e sua restauração, Terre de Feu, de Paul Castelnau e Joseph Mandement, tem sido regularmente solicitado por pesquisadores — etnólogos, historiadores ou geógrafos —, assim como por instituições que trabalham na memória dos povos indígenas da Patagônia austral. Projeções deste documentário mudo ocorreram em novembro de 2021 e 2022 em Ushuaia e em setembro de 2023 na Galerie Le Château d’Eau, em Toulouse. O filme é um registro raro dos antigos habitantes da Terra do Fogo, especialmente dos Kaweskar (chamados de Alakaloufs no filme), sobreviventes de uma antiga tribo que corria risco de extinção; seus descendentes são profundamente ligados a este filme, que contém as únicas imagens em movimento de seus ancestrais. É também um documento sobre o olhar “científico” daqueles que os descobriram, em uma época em que não se questionava a supremacia da civilização ocidental e seu “progresso” industrial.
Um filme extremamente raro (infelizmente, com o primeiro rolo perdido), filmado de forma admirável e enriquecido com viragens e colorações, restaurado pelo CNC para a Cinémathèque de Toulouse.
Serviço
Occitânia: Filmes do Mundo
Data: 21 a 25 de outubro
Local:
Exibições dos filmes no Cinema do Dragão
Debates na Escola Porto Iracema das Artes
Entrada gratuita