
Artistas trans, travestis e não bináries podem se inscrever, a partir desta terça-feira (9), na 3ª edição do Ateliê de Criação Tecnologias Transvestigêneres, do programa Trair o CIStema. Edital do Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS CE) concederá bolsas para dez projetos de pesquisa e criação de diversas linguagens artísticas. O museu integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais (Rece) do Governo do Ceará, vinculada à Secretaria da Cultura (Secult), e é gerido pelo Instituto Mirante.
O Ateliê é um espaço de investigação e intercâmbio de experiências artísticas para pessoas trans, travestis e não bináries, com ênfase na transdisciplinaridade. O objetivo é aproximar, diluir e questionar as fronteiras e barreiras que existem entre linguagens artísticas e outros campos do conhecimento, incentivando o hibridismo e as experimentações.
A iniciativa busca contribuir para a formação de pessoas artistas comprometidas com práticas solidárias e críticas, promovendo um ambiente de aprendizagem, pesquisa e criação coletiva atento às realidades e necessidades de comunidades historicamente vulnerabilizadas.
Por ser exclusivo para pessoas trans, travestis e não bináries, o edital n. 022/2026 é considerado um edital afirmativo e pretende ampliar o acesso dessas pessoas a oportunidades de formação, criação e difusão artística, reconhecendo as desigualdades históricas que impactam essas trajetórias.
Além disso, o edital adota critérios que priorizam a equidade, incluindo a aplicação de políticas afirmativas específicas dentro do próprio público contemplado, com o objetivo de alcançar mais diversidade e inclusão entre as pessoas participantes.
As inscrições podem ser feitas de forma gratuita, até o dia 3 de julho, pelo site do Mapa Cultural do Ceará. Das 10 bolsas disponíveis, quatro são para todas as pessoas trans, travestis e não bináries e seis são reservadas para as que fazem parte de grupos específicos: negras (pretas ou pardas), indígenas, quilombolas e/ou com deficiência.
As pessoas selecionadas participarão de processo formativo e criativo, nos meses de setembro e outubro de 2026, e receberão bolsa no valor de R$ 3 mil. Os projetos desenvolvidos serão partilhados com o público ao fim do processo.
Ateliê de Criação Tecnologias Transvestigêneres
Nesta terceira edição, o Ateliê de Criação Tecnologias Transvestigêneres propõe o eixo ecologias trans e cuir, voltado a projetos que investiguem relações entre corpos, tecnologias e ambientes em transformação. Parte-se da ideia de que identidades e ecossistemas são instáveis e mutáveis. E, neste contexto, entende-se tecnologia como meio de criar conexões, experiências e formas de vida.
São convidadas a participar pessoas artistas e pesquisadoras interessadas em articular corpos transvestigêneres, ecologias vivas e tecnologias de maneira integrada, que criem a partir da instabilidade, da variação e da plasticidade como forças afirmativas e investiguem práticas de cuidado entre mundos. E pessoas que desenvolvam dispositivos, métodos ou rituais produtores de conectividades sensíveis e proponham formas de viver mais plurais, lúdicas e sensuais, alinhadas às dinâmicas criativas da própria natureza.
Serão contemplados projetos de pesquisa e criação nas seguintes linguagens:
- Arte fractal
- Arte generativa
- Artes visuais
- Audiovisual
- Cinema expandido
- Fotografia expandida
- Instalação sonora
- Jogos virtuais
- Performance
- Projeção interativa
- Realidade aumentada
- Realidade virtual
- Video mapping
- Outras áreas correlacionadas
Como será a seleção
A seleção de projetos ocorrerá em duas etapas: na primeira, a comissão de seleção avaliará os documentos enviados para inscrição. A etapa é eliminatória. As pessoas candidatas habilitadas avançam para a fase seguinte, em que as propostas passarão por avaliação técnica.
No edital podem ser conferidos os critérios avaliados, texto para fundamentar a proposta de projeto, além dos documentos necessários para a avaliação e outros detalhes da seleção.
Programa Trair o CIStema

O projeto teve início em janeiro de 2023, Mês da
Visibilidade Trans. (Foto: Deivyson Teixeira)
O Ateliê de Criação Tecnologias Transvestigêneres é parte do programa Trair o CIStema, desenvolvido pelo MIS CE para promover criações artísticas, ações educativas e pesquisas de pessoas trans, travestis e não bináries.
O projeto teve início em janeiro de 2023, Mês da Visibilidade Trans. Desde então, desenvolve ações continuadas de formação, pesquisa e difusão.
O programa propõe olhar os pactos ficcionais da cisgeneridade de forma crítica, questionando-os e reinventando o imaginário socialmente construído sobre corpas que desviam das normas de gênero. O interesse é provocar reflexões sobre essas existências, abrindo caminhos para novas possibilidades de vida.
Idealizado pelas artistas, produtoras, curadoras e arte-educadoras trans do MIS CE, Aires, Ana Paula Braga, Garu Pirani e Lipe da Silva, e continuado hoje por Aires, Kaleo Pedro, Romã e Rafael Aires, em diálogo com as diversas áreas do museu, Trair o CIStema convoca a abrir fissuras nos espaços normativos históricos e, nelas, produzir possibilidades de transformação, ampliando os modos de existir e criar entre pessoas trans, travestis e não bináries.
Cronograma do edital
Inscrições: 9 de junho a 3 de julho
Encontro virtual para tirar dúvidas: 17 de junho
Habilitação das inscrições: 6 a 8 de julho
Resultado preliminar da Etapa 1: 10 de julho
Pedido de recurso da Etapa 1: 13 e 14 de julho
Resultado final da Etapa 1: 16 de julho
Avaliação técnica (Etapa 2): 17 a 24 de julho
Resultado preliminar da Etapa 2: 28 de julho
Pedido de recurso da Etapa 2: 29 e 30 de julho
Resultado final do edital: 4 de agosto
Entrega da documentação e assinatura do Termo de Compromisso: 18 de agosto
Início do Ateliê de Criação: 9 de setembro