O Museu da Imagem e do Som do Ceará, espaço da Secult Ceará gerido pelo Instituto Mirante, apresenta a exposição “E assim por diante…”. Criada pelo cineasta e artista plástico Cao Guimarães e pelo duo musical O Grivo, formado por Nelson Soares e Marcos Moreira, a mostra celebra os 25 anos de parceria entre eles, que gerou, ao longo desse tempo, mais de 50 obras entre filmes de longa, média e curta metragem, instalações, performances e shows. Ocupando diversos espaços do MIS (sala imersiva, escada e jardim), “E assim por diante…” reúne três obras que estão num campo de interseção entre imagem, som e texto.
De acordo com os artistas, a exposição propõe uma nova forma de abordar as relações encontradas na natureza. E, como ideia central, desenha um elogio ao movimento das coisas e à passagem do tempo, com uma narrativa que contempla ritmos diversos e que utiliza processos randômicos que os meios digitais tornam possíveis.
“E assim por diante…” é composta por três obras separadas, mas que dialogam entre si. Na sala imersiva, será exibida a peça audiovisual “O paraquedista”, que tem como temática a associação de vários encadeamentos de imagens e a formulação de uma série de questões em um texto narrado pelo ator Matheus Nachtergaele. Ele é composto apenas por perguntas sobre o que é a natureza, o que é o humano, qual o meio em que ele vive, seus conflitos, sua forma de vida, seus desejos, entre outras. O título da obra remete à situação de queda ao qual é submetido o personagem diante de profundos questionamentos acerca de sua própria existência.
No painel de led da escadaria que leva à sala imersiva, estará “Queda livre”, uma obra audiovisual em que uma criança sobe e desce uma escada eternamente como um Sísifo, um guardião do tempo, um metrônomo para uma música improvável.
Sobre os artistas
Cao Guimarães
Cineasta e artista plástico, nasceu em 1965 em Belo Horizonte, onde vive e trabalha. Atua no cruzamento entre o cinema e as artes plásticas. Com produção intensa desde o final dos anos 1980, o artista tem suas obras em numerosas coleções prestigiadas como a Tate Modern (Reino Unido), o MoMA e o Museu Guggenheim (EUA), Fondation Cartier (França), Colección Jumex (México), Inhotim (Brasil), Museu Thyssen-Bornemisza (Espanha), dentre outras. Participou de importantes exposições como XXV e XXVII Bienal Internacional de São Paulo, Brasil; Insite Biennial 2005, México; Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, EUA; Tropicália: The 60s in Brazil, Áustria; Sharjah Biennial 11 Film Programme, Emirados Árabes Unidos e Ver é Uma Fábula, Brasil, uma retrospectiva com grande parte das obras do artista expostas no Itaú Cultural, em São Paulo.
O Grivo
Em fins de 1990, O Grivo realizou seu primeiro concerto em Belo Horizonte, iniciando suas pesquisas no campo da “Música Nova”. Interessado na expansão do seu universo sonoro e na descoberta de maneiras diferentes de organizar suas improvisações, o grupo vem desenvolvendo sua linguagem musical. Em função da busca por “novos” sons e por possibilidades diferentes de orquestração e montagem, O Grivo trabalha com a pesquisa de fontes sonoras acústicas e eletrônicas, com a construção de “máquinas e mecanismos sonoros”, e com a utilização, não convencional, de instrumentos musicais tradicionais. Em consequência desta pesquisa, que leva ao contato com os objetos e materiais mais diversos, cresce a importância das informações visuais e da sua organização nas montagens do grupo. A isto se soma um diálogo, também ininterrupto, com o cinema, vídeo, teatro e a dança. Nas instalações/concertos, o espaço de fronteira e interseção entre as informações visuais e sonoras é o lugar onde se constrói a experiência com conceitos como textura, organização espacial, sobreposição, perspectiva, densidade, velocidade, repetição, fragmentação, entre outros. A proposição de um estado de curiosidade e disposição contemplativa para a escuta e a discussão das relações dos sons com o espaço são as idéias principais sobre as quais se apóiam os trabalhos do grupo.
MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DO CEARÁ
Endereço: Av. Barão de Studart, 410. Meireles.
Entrada: gratuita.
Abertura da exposição “E assim por diante…” de Cao Guimarães e O Grivo
Data: 13 de dezembro de 2025
Horário: 17h
Classificação indicativa: livre.
Entrada gratuita.