28 de março de 2026

A Galeria da Liberdade recebe a exposição “Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará”, que destaca o  fortalecimento histórico de povos indígenas por meio das cosmologias, organizações e articulações políticas. Reunindo narrativas de indígenas que habitam o Ceará, entre eles Jenipapo-Kanindé, Tremembé, Kanindé, Anacé, Pitaguary, Tapeba, Kariri, Potyguara, Tabajara e Gavião, a exposição revela trajetórias marcadas pela resistência às violações de direitos, pela afirmação identitária e pela ocupação de espaços de poder a partir de modos próprios de viver, governar e lutar. São 31 obras, dentre as quais estão fotografias e outras artes visuais, instalação e obra sonora, de 11 artistas.

A mostra também destaca a preservação das línguas originárias, como o Nheengatu, o Dzubukuá e a língua Tremembé, compreendidas como territórios vivos de memória e continuidade. Do litoral ao sertão, da cidade às matas sagradas, as vozes desses povos ecoam em expressões como o Toré e o Torém, que são manifestações espirituais, políticas e coletivas que passam por gerações.

Por meio de obras em grafismo, em áudio e fotografia, artistas indígenas do Ceará apresentam produções que dialogam com resistência, autonomia e espiritualidade. As obras abordam desde processos de retomada territorial e manifestações históricas por direitos até práticas de cura, celebrações culturais e reafirmações identitárias. Além das obras e fotografias, a curadoria apresenta um ato curatorial de frases ditas por lideranças indígenas estaduais e nacionais.

“Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará” reafirma a centralidade das narrativas indígenas, colocando esses povos como protagonistas de suas próprias histórias. A exposição propõe um espaço de escuta, reconhecimento e fortalecimento das lutas, entrelaçando memória, verdade e justiça. Frases que emergem como gritos de resistência e afirmação coletiva também compõem o percurso expositivo, ampliando a experiência do público. 

A curadoria

A curadoria da exposição é assinada por três indígenas do Ceará com trajetórias que articulam pesquisa, arte, museologia e atuação política nos territórios:  Nyela Jenipapo, Rodrigo Tremembé e Suzenalson Kanindé. “Do litoral ao sertão, da cidade à mata sagrada, esses povos ecoam suas vozes, cantos e encantos por meio do Toré e do Torém, expressões espirituais, políticas e coletivas que atravessam gerações. São povos que resistem no tempo, afirmam suas identidades e mantêm vivas suas práticas culturais, espirituais e territoriais, fortalecendo a luta indígena no Ceará”, ressaltam as pessoas curadoras da exposição.

Nyela Jenipapo é pesquisadora, comunicadora e museóloga, com participação na criação do Museu Indígena Jenipapo-Kanindé e em iniciativas voltadas à memória e aos museus indígenas. Rodrigo Tremembé desenvolve uma prática artística que conecta arte, moda e ancestralidade, com participação em exposições nacionais e internacionais. Já Suzenalson Kanindé é pesquisador e articulador na área de patrimônio e memória, com atuação em redes de museologia social e políticas culturais indígenas. Juntos, os curadores constroem uma proposta que valoriza os protagonismos indígenas, além de fortalecer narrativas e identidades e a luta por território e direitos no Ceará. 

A exposição “Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará” apresenta obras de artistas, fotógrafos e DJ indígenas do Ceará. A exposição será composta por cinco artes visuais, uma instalação, uma faixa sonora e 24 fotografias. As imagens que compõem o percurso expositivo trazem frases que emergem como gritos de resistência e de afirmação coletiva, ampliando os olhares e a experiência do público. 

Artistas

Cícero Kanindé, Jardel Anacé, Merremii Karão Jaguaribara, Moisés Tremembé, Rudá Jenipapo,  Iago Jenipapo, Lidiane Anacé, Victor Kanindé, Clarinha Kanindé, Henrique Tabajara e Rapha Anacé.