A Galeria da Liberdade foi aberta no dia 18 de junho de 2025, com a exposição “Negro é um rio que navego em sonhos”. O espaço, gerido pelo Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS CE), faz parte do conjunto arquitetônico do Palácio da Abolição. O MIS integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais (RECE) da Secretaria da Cultura do Ceará, com gestão parceira do Instituto Mirante.
A criação da Galeria da Liberdade afirma a centralidade da luta pela garantia de direitos humanos na construção de uma sociedade mais democrática e diversa, na qual a cultura e a educação são fundamentais para o exercício pleno da cidadania e o combate ao racismo. Inicialmente, o horário de funcionamento será quarta e quinta-feira, das 10h às 18h, e sexta e sábado, das 13h às 20h.
A Galeria da Liberdade se estabelece como um espaço de difusão, com mostras que têm como eixo a luta pelos direitos humanos no Ceará, no Brasil e no mundo, evidenciando as tramas políticas, geográficas e afetivas da História. Trata-se de um lugar de experimentação artística, no qual o som e a imagem narram o passado e fazem imaginar, coletivamente, outros futuros.
O espaço afirma-se também como um local de encontro para diversos públicos e vozes, buscando construir diálogos profundos na revisão das estruturas que ainda discriminam e violentam pessoas cotidianamente. A Galeria da Liberdade será coordenada pela historiadora Cícera Barbosa, mestra em História Social (UFC). Serão realizadas no local exposições, aulas abertas, seminários, rodas de conversa e outras ações formativas gratuitas e abertas ao público.
“Negro é um rio que navego em sonhos”
A Galeria da Liberdade conta com a realização da ocupação a céu aberto e nos espaços de galeria “Negro é um rio que navego em sonhos”, que tem curadoria de Ana Aline Furtado. As obras que integram a exposição são de Alexia Ferreira, Blecaute, Cecília Calaça, Clébson Francisco, Darwin Marinho, Roberto Silva, kulumyn-açu, Luli Pinheiro, Suellem Cosme, Trojany e Wellington Gadelha. “Negro é um rio que navego em sonhos” propõe-se a abrir o espaço a céu aberto para repensar a presença negra e indígena neste estado.
Em cada lado do prédio que abriga a Galeria, estão adinkras (símbolos ideográficos, parte da cultura do povo Akran, na África Ocidental) e imagens de mulheres negras que são e que foram referências para o movimento negro no Ceará: Ana Souza, Balbina, Cris Faustino, Cristina Nascimento, Dediane Souza, Elissânia Oliveira, Joelma Gentil do Nascimento, Joseli N. Cordeiro, Laura Gomes, Lourdes Vieira, Preta Tia Simôa, Sandra Petit, Teresa Soares, Veronizia Sales e Wanessa Brandão. Elas simbolizam lideranças negras na contemporaneidade e representam também a trajetória de muitas outras mulheres que lutaram pela liberdade no Brasil.