18 de novembro de 2023 a 16 de junho de 2024

“Quando o sertão ganhou o mar – A obra de Humberto Teixeira” retrata a vida e a obra do compositor cearense. Natural de Iguatu, Humberto Teixeira (1915 – 1979) ficou conhecido por sua parceria musical com Luiz Gonzaga na difusão do baião. Com curadoria de Lu Basile, a exposição oferece um passeio pela trajetória pessoal e profissional do artista. 

A exposição conduz os visitantes por diversos temas, passando pela história do Brasil e da música brasileira, as parcerias com Luiz Gonzaga e Lauro Maia, seu processo de composição, a vida no Rio de Janeiro, a atuação política e a luta pela valorização da música nacional. Estão expostos itens do acervo pessoal do artista, como registros de trabalhos inéditos, fotos, instrumentos musicais e objetos. Com expografia de André Scarlazzari, a exposição leva Humberto Teixeira ao público do MIS por meio de textos, imagens, música, dança, árvores, pássaros e outras delicadezas surpreendentes, em uma exposição interativa, criativa e emocionante. Complementando a exposição, há uma instalação sonora na praça do MIS chamada “Varei mais de vinte serras”, de Clau Aniz. 

A coleção Humberto Teixeira

A coleção Humberto Teixeira, hoje sob a guarda do Museu da Imagem e do Som do Ceará, foi adquirida pela Secretaria de Cultura do Ceará em dezembro de 2015. Formado em Direito e tendo sido um dos principais parceiros de Luiz Gonzaga, o “doutor do baião” também atuou como político. Eleito deputado federal, lutou pela lei do direito autoral e viabilizou, com a Lei Humberto Teixeira, a realização de caravanas de artistas para divulgar a música brasileira no exterior. A coleção, cujos itens são vestígios de aspectos de sua vida pessoal e sua trajetória na música e na política, é composta por livros, revistas, fotografias, discos, álbuns de recortes, projetos de leis, partituras, documentos e objetos pessoais do compositor cearense. A exposição que o MIS agora apresenta é um recorte deste vasto e precioso acervo.

“Quando o sertão ganhou o mar apresenta Humberto Teixeira, compositor cearense, nascido em Iguatu e introdutor do baião que, junto com Luiz Gonzaga, abalou as placas tectônicas da música brasileira, até então, sul-centrada e sob o reinado do samba. O baião e o ativismo político de Humberto representaram uma espécie de contrafluxo às caravelas, chegando sua música aos continentes e sendo uma das mais gravadas na Europa, na década de 1950. 

Humberto Teixeira é uma personalidade multifacetada e, como tal, de complexidade, que, ao mesmo tempo, dificulta e enriquece a busca de sua compreensão. Formou-se advogado e, desde a infância, a música, a poesia e o gosto pelas letras sempre o acompanharam. Era brilhante, boêmio e agregador. Ele próprio parece ser a síntese desse fluxo sertão-mar, onde coexistem a simplicidade e elegância do tempo da natureza, da memória e o ativismo político-cosmopolita em defesa da arte e dos artistas.       

Sua obra e o próprio Humberto, situados no tempo e no espaço, instigam reflexões sobre como questões que nos atravessam cotidianamente foram historicamente constituídas. Tradição, a cristalização de imagens sobre o êxodo das populações, o machismo e políticas públicas para exportação da cultura, são alguns exemplos. Apresenta um viés nacionalista e ajudou a formar um imaginário sobre as identidades culturais nordestinas.     

A Coleção Humberto Teixeira, que compõe o acervo do Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque, é formada de documentos que correspondem a uma temporalidade de 1940 a 1960, período da quase totalidade da obra musical de Humberto Teixeira. Trata-se de um conjunto organizado pelas mãos de suas irmãs Glaura e Ivanira, bem como pelo artista. O acervo sugere organização pessoal, como escrita de si, evidenciando o modo como gostaria de ser lembrado.”

Lu Basile 


Instalação sonora “Varei mais de vinte serras”
Clau Aniz
Paisagem Sonora

“Varei mais de vinte serras” é uma obra de instalação sonora composta pela artista Clau Aniz. No intento de trazer à praça do MIS uma dobra no tempo dos terreiros onde nasceu o baião com o chão de concreto do presente, a composição é criada a partir do sampleamento de canções escritas por Humberto Teixeira e interpretadas por diversos artistas ao longo dos anos. Uma reverência ao lirismo que se enraíza e se transforma, mantendo-se vivo e atemporal.