A exposição “Re-floresta” propõe uma experiência imersiva que atravessa os caminhos sensíveis da artista amazônida Roberta Carvalho, cuja trajetória de mais de 15 anos entrelaça arte, natureza e tecnologia como forma de escuta, reflexão e transformação. Sua poética emerge das margens dos rios, das trocas com comunidades ribeirinhas e povos originários, e da atenção às camadas sutis dos territórios que habitamos e compartilhamos. Por meio da imagem, do som e da projeção, Roberta desenvolve uma linguagem singular que amplia o campo da arte digital ao propor um olhar crítico e afetivo sobre a Amazônia – não como um lugar fixo ou idealizado, mas como um organismo pulsante, em constante criação e resistência.
Com obras que transitam entre o videomapping, as instalações imersivas e as intervenções urbanas, a artista investe na potência das tecnologias como ferramenta de reconexão e visibilidade. Ao mesmo tempo, tensiona os limites entre o humano e o não humano, evocando presenças, saberes e modos de vida muitas vezes silenciados. O uso da tecnologia em sua obra é ferramenta de escuta – uma forma de amplificar vozes, fortalecer memórias e imaginar futuros enraizados em outras cosmologias.
No centro desta exposição, está uma obra inédita do premiado projeto Symbiosis, protagonizada por uma das maiores lideranças indígenas do mundo: o Cacique Raoni. Pela primeira vez, sua imagem é transfigurada poeticamente em árvore, símbolo de resistência, sabedoria e força vital da floresta.
A criação é resultado de um encontro entre Roberta e Raoni, onde a artista propôs uma fusão visual entre o corpo do líder e a vegetação nativa – gesto que reafirma a inseparabilidade entre os povos originários e os territórios que habitam, protegem e representam.
“Re-floresta” é um convite a rever nossas relações com a floresta, não como paisagem exótica ou distante, mas como presença viva, política e cultural. Uma floresta que fala, que sente e que ensina. Uma floresta que reexiste — e que, pela arte, se reinventa.

Roberta Carvalho
Artista visual, multimídia e diretora artística. Desenvolve trabalhos envolvendo linguagens visuais e tecnológicas, transitando entre suportes como vídeo, intervenção urbana, projeção, realidades mistas, instalação e projetos interativos. Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará, fez mestrado em Artes Visuais pela Universidade Estadual Paulista. Foi vencedora do Prêmio FUNARTE Mulheres nas Artes Visuais. Participou de várias exposições e projetos nacionais e internacionais, como Brasil Futuro: As Formas da Democracia, Festival do Futuro, HEALING – Life in Balance”, em Frankfurt, Festival On_OFF 2019 – Itaú Cultural, Virada Cultural de São Paulo, Amazon Connection, Arte Pará, Visualismo – Arte, Tecnologia, Cidade, Festival Multiplicidade, entre outros. Suas obras integram os acervos do Museu de Arte Contemporânea Casa das 11 Janelas (PA), Museu de Arte do Rio (MAR) e Museu da Universidade Federal do Pará.
Além de artista, sua poética abrange atuações como artista-curadora e diretora artística em projetos que envolvem artes visuais, tecnologia e questões sobre o território amazônico.
É criadora do Festival Amazônia Mapping, um projeto pioneiro de arte e tecnologia no Brasil.
No Rock in Rio 2022, foi diretora artística e curadora da NAVE, uma instalação imersiva que levou mais de 50 artistas amazônidas para o maior festival de música do mundo.
Foi curadora-adjunta da exposição Brasil Futuro: as Formas da Democracia (na edição Pará).